ATIVIDADES DE AMIGOS

    Vem aí a biografia de 'Garota de Ipanema'

    RIO - Aqui no Brasil, o poeta e ensaísta Eucanaã Ferraz está mergulhado na pesquisa para contar a história de um marco da bossa nova, "Garota de Ipanema". Prevista para ser editada em 2013, pela Companhia das Letras, "Garota de Ipanema - A biografia de uma canção" terá uma abordagem diferente da adotada por David Margolick em "Strange fruit".

    - É um trabalho ensaístico, e menos jornalístico - conta Ferraz. - Além de contar como as coisas aconteceram, desde a composição até as suas muitas gravações, quero entender esse fenômeno e o que a levou a ser um fenômeno, gravada pelos maiores artistas do mundo e também usada como música de elevador.

    Além de reconstituir a gênese da canção criada por Tom Jobim e Vinicius de Moraes, portanto, o autor irá analisar a criação de versões como as de Pery Ribeiro, João Gilberto e Stan Getz, assim como a interpretação do próprio maestro. Em paralelo, o ensaio vai acompanhar a transformação da canção em um evento cultural de massa - e não apenas no Brasil.

    - "Garota de Ipanema" extrapola os limites da canção, vira filme e se converte na tradução de algo mais, de um certo Brasil proposto pela bossa nova. Ela retrata um estado de espírito, um país solar, embora a canção seja triste, melancólica - diz Ferraz, citando os versos "Ah, porque estou tão sozinho/ Ah, porque tudo e tão triste/ Ah, a beleza que existe/ A beleza que não é só minha/ Que também passa sozinha". - É a juventude em oposição à desilusão daquele homem de meia-idade que constata que aquela garota já não é mais para ele.

    E a tal garota também ganha vida, se assume como personagem, criado e reinventado desde que o poeta pregou os olhos enquanto ela passava num "doce balanço a caminho do mar".

    - No início, a imagem da "Garota de Ipanema" era a de uma menina tímida, recatada, que foi personificada mundialmente pela Astrud Gilberto. Não era uma garota de biquíni toda sensual. Foi com o passar dos anos que ela se transformou nessa imagem erotizada. Ela teve de se transformar para continuar a existir num Brasil que já não era aquele do projeto da bossa nova. E assim ela segue hoje - diz.

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