ATIVIDADES DE AMIGOS

    Ratos de Porão fazem festa para comemorar três décadas de carreira

    RIO - A história do Circo Voador e a dos paulistanos Ratos de Porão se confundem. Em 1983, no começo da trajetória de ambos, os Ratos participaram no Circo de uma insólita noite punk, abrindo para os Paralamas do Sucesso. Em 1997, o vocalista João Gordo promoveu a expulsão da fanfarra que comemorava, nos Arcos da Lapa, a eleição do prefeito Luiz Paulo Conde. Resultado: a lona voadora, vista como antro de desordeiros, foi fechada, e assim ficou por sete anos. Nessa sexta-feira, dias depois de se completarem os 30 anos do pouso do Circo na Lapa, a banda formada em 1981 comemora (meio atrasada) a sua balzaquice, em show com músicos de várias fases, na festa A Grande Roubada.

    - A gente abriu o Circo, a gente fechou o Circo, a gente brigou aí, a gente se drogou aí, a gente quase morreu aí... É aí mesmo é que a gente vai fazer a festa - fuzila João, que considera "um engano" o incidente no Circo em 1997. - Naquela época, a gente ficava louco antes do tempo. Só no dia seguinte é que eu fui saber que o João Gordo tinha expulsado o Conde do Circo Voador. Foi uma coisa meio sem querer.

    Gordo, Jão (guitarra), Juninho (baixo) e Boka (bateria) passam a limpo seu repertório de clássicos do punk brasileiro, com as participações de Jabá (baixista de 1981 a 1993, quando sucumbiu ao crack), Spaghetti (baterista entre 1985 e 1991), Betinho (vocalista que João Gordo substituiu em 1983), Mingau (guitarrista entre 1982 e 1984, hoje baixista do Ultraje a Rigor) e Fralda (baixista de 1998 a 2003).

    - A gente continua tudo meio que amigo e meio que próximo - conta Gordo, que já escreve letras para um próximo álbum dos Ratos (o primeiro de inéditas desde 2006). - O título do disco será "Século sinistro". Tem uma música nova chamada "Neocanibalismo", sobre essa onda nova de epidemia zumbi, empadinha de gente e drogas que fazem pessoas comerem carne humana.

    Repórter do programa de TV "Legendários" e DJ da festa Ruby Tuesday (do bar Londra, no hotel Fasano, em Ipanema, na qual toca na próxima terça ao lado do americano Marky Ramone), Gordo acha a sua vida "um paradoxo total".

    - Estou com um pé no underground e outro no mainstream mais desprezível. Mas é aquela coisa, estou com quase 50 anos e tenho uma família para sustentar - justifica.

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