ATIVIDADES DE AMIGOS

    Projeto Aquarius faz festa na praia

    RIO - Para comemorar os 40 anos de um projeto marcado pelo oferecimento da música clássica à população brasileira, nada mais coerente do que um programa formado apenas por peças de compositores nacionais. O país está em destaque na apresentação que começa às 20h deste sábado, na Praia de Copacabana, em frente ao Copacabana Palace. Em caso de chuva, transfere-se para domingo, às 19h30m. O Projeto Aquarius 40 anos é uma realização de O GLOBO com apresentação do Governo do Estado do Rio de Janeiro.

    A atriz e diretora Carla Camurati foi convidada para, pela primeira vez na carreira, assinar a direção artística de uma etapa do Aquarius.

    - Estou muito honrada e feliz, porque, além de ser um dos projetos culturais mais importantes que temos no país, foi através dele que conheci a música clássica. Eu pedia para minha mãe me levar e achava lindo o palco, tudo - conta ela, também diretora do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

    Carla diz ter pensado, para a festa, em selecionar o que houvesse de mais bonito e representativo na música clássica brasileira. Em conversas com o maestro Roberto Minczuk, da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), chegou ao programa: a abertura com "O Garatuja", de Alberto Nepomuceno; três composições de Heitor Villa-Lobos (os quatro movimentos das "Bachianas brasileiras nº 4"; o popular "O trenzinho do caipira", das "Bachianas brasileiras nº 2"; e o "Choros nº 10", conhecido como "Rasga o coração"); e o encerramento com os nove movimentos do bailado "O maracatu do Chico-Rei", de Francisco Mignone.

    - A ideia é iluminar um maravilhoso repertório brasileiro, com músicos e bailarinos brasileiros, e a participação de jovens e crianças brasileiros. O Brasil é o protagonista - afirma ela.

    À frente da orquestra que mais vezes participou do Aquarius, Minczuk também ressalta o orgulho de participar dos 40 anos do projeto.

    - É o maior projeto de desenvolvimento da música clássica que aconteceu no Brasil. Leva a grandes plateias, dá acesso ao leigo. Por isso, é muito simbólico que a apresentação dos 40 anos vá ter o melhor da música clássica brasileira - celebra o maestro.

    Ela ressalta, antes de tudo, a forte presença no programa de Villa-Lobos, "o maior talento de música que o Brasil produziu".

    - Foi o primeiro a divulgar a música clássica. Era oriundo da música popular, um chorão (instrumentista que toca choros), um grande carioca e brasileiro - destaca.

    O coro de crianças da OSB participará de "O trenzinho do caipira", enquanto o Coro Sinfônico do Rio de Janeiro cantará no "Choros nº 10". Ambos são regidos por Júlio Moretzsohn. O encerramento, com "O maracatu do Chico-Rei", contará com a Companhia Jovem de Ballet do Rio de Janeiro e com os alunos da Escola de Dança Maria Olenewa. Os bailarinos solistas serão Margarida Briggs, Cristina Cabral, João Luiz da Matta Rosa e Daniel Oliveira Santos.

    - A composição de Mignone é simplesmente genial - exalta Minczuk. - Ele usou temas e ritmos afro-brasileiros de maneira muito vibrante. E fez isso dez anos antes de "Carmina Burana" (do alemão Carl Off), que é considerada tão vigorosa. Mas a música de Mignone é brasileira, é nossa.

    A apresentação do espetáculo será de Pedro Bial, que nunca participara do Aquarius. Ele lerá textos com informações que podem ajudar a plateia a usufruir melhor o concerto. E uma estrela que já esteve em várias edições do projeto voltará na festa dos 40 anos: a bailarina Ana Botafogo terá um momento solo nas "Bachianas brasileiras nº 4".

    - Vou dançar uma coreografia preparada especialmente por Eric Frederic com uma roupa que também foi feita para a apresentação. Ela terá pedrarias que permitirão efeitos especiais - adianta Ana Botafogo, que representou no Aquarius, entre outros papéis, o Cisne Negro de "O lago dos cisnes". - Quando dançamos no Municipal, muitas vezes não há surpresas, porque é um público já acostumado. No Aquarius, vemos a admiração nos olhos dos espectadores. As pessoas devem ficar marcadas para o resto da vida.

    O concerto dos 40 anos é o quinto a ser realizado na Praia de Copacabana. Serão postas 5 mil cadeiras na areia, e a produção estimula que os espectadores também levem seus próprios assentos, já que o público total pode chegar a cem mil pessoas.

    O palco de 1.200 metros quadrados terá um painel de alta definição para projeções em vídeo de imagens do espetáculo.

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