RIO - Um movimento toma conta das redes sociais desde a noite de terça-feira contra a ação de cambistas na internet. Indignados com pessoas que tentam revender o ingresso do show do Planet Hemp, em setembro, a preços abusivos, um grupo de jovens criou a página "Ocumpem, usuários", que reúne mais de 800 fãs e já denunciou perfis à Polícia Federal como praticantes de crime de internet.
- A página foi criada, inicialmente, para tentarmos uma solução para quem ficou sem ingresso, já que se esgotaram em uma hora. Queríamos um novo show ou a exibição num telão - explica o estudante de engenharia Bruno da Paz Mesquita, de 21 anos. - Só que havia um monte de gente já anunciando ingressos sobrando e a preços abusivos. Fomos atrás deles e denunciamos para a Polícia Federal. Estamos tentando combater esse cambismo, nos mobilizando para tentar fazer a diferença.
Uma foto do usuário Luiz Augusto Sará no Facebook virou, então, o retrato da indignação do grupo sem ingresso. Na imagem, há seis tickets do show e a matéria veículada no site do GLOBO informando que os ingressos haviam se esgotado em uma hora. E com a descrição de que vende cada um a R$ 200 (sendo que o valor pago era de R$ 60, a meia entrada).
Diante disso, o permacultor Leandro Gomes, de 28 anos, junto com a foto de Luiz Augusto, postou um texto denunciando a venda de ingressos ilegais. Teve quase 600 compartilhamentos.
- A foto apareceu no meu Facebook e senti que deveria fazer algo. Lucrar em cima do valor do ingresso é crime - afirma o rapaz, que cita no texto a Lei da Economia Popular nº 1.521/51, que repudia ação de cambistas.
O Circo Voador, onde o show será realizado no dia 29 do próximo mês, divulgou comunicado afirmando que tenta marcar um segundo show para atender a demanda e informa não ser possível organizar um telão. Além disso orienta os fãs a não comprar com cambistas:
"Não somos coniventes com cambista e muitas vezes nossa equipe de apoio os reprime, mas na rua cabe as autoridades públicas. Somos contra também esse leilão vitual. Achamos um abuso e um desrespeito com os fãs, pessoas que compram seu ingresso e o revendem a um preço abusivo. Da nossa parte a gente sempre orienta a não comprar com essas pessoas. Até porque esses ingressos podem ser falsificados".
O site "Comprei e não vou", que anuncia no momento quatro usuários vendendo ingressos para o show de Planet Hemp, um deles a R$ 300, afirma tentar controlar este tipo de prática.
- O site funciona como um classificado de ingressos. O que fazemos é em alguns casos entrar em contato com o usuário pedindo para baixar o preço. Fazemos campanhas para não cobrar preços astronômicos e orientamos as pessoas a não comprarem. Deixa ele morrer com o ingresso - diz Daniel Araújo, responsável pelo site.
Esta não é primeira vez que preços abusivos são praticados na internet. No Rock in Rio e outros shows internacionais, ingressos foram negociados bastante inflacionados no Facebook. Outro caso de repercussão aconteceu em em 2010, quando após tentarem comprar entradas para a apresentação do U2 em São Paulo, fãs frustrados da banda irlandesa denunciaram ao GLOBO a profusão de pacotes oferecidos na internet por agências de viagens e, claro, com os preços altos.
Até o momento, os integrantes do movimento ainda não receberam resposta da Polícia Federal sobre suas denúncias. Mas a mobilização promete ser revertida em um ponto positivo, pelo menos.
- Estamos pedindo às pessoas que aderiram à causa e irão à Lapa no dia do show, mesmo sem ingresso, para levarem um quilo de alimento não perecível e doar ao Circo. É nossa forma de protesto, sem bagunça - diz Daniel, que deu o nome do grupo em referência ao CD do Planet Hemp, "Usuário", de 1995.

