RIO - OLINDA, PE - Há oito anos a festa se repete. Só que cada vez ela cresce mais. E coincide com o início do verão, cuja temporada oficial em Pernambuco é inaugurada a Sete de setembro. Somando as noites quentes, as ladeiras seculares,o simétrico casario, as igrejas barrocas da cidade e a sua eterna vocação para as manifestações de rua, tudo contribui para o clima mágico que toma conta do seu sítio histórico durante a realização da Mostra Internacional de Música de Olinda, a Mimo. O evento entra esse ano em sua oitava edição, e deve movimentar cerca de 100 mil pessoas, quase dez vezes mais do quem em 2004, quando o festival foi realizado pela primeira vez.
A Mimo já não se limita a Olinda: este ano as apresentações se espalham também por igrejas de João Pessoa e Recife, onde o teatro mais moderno da capital, situado no parque Dona Lindu, na Zona Sul, também será utilizado no festival. Durante uma semana, cerca de 450 músicos movimentam 26 apresentações, em 16 locais diferentes, a maior parte formada de templos católicos, que cedem seus espaços para orquestras,bandas, artistas nacionais e internacionais. Por uma semana,o repicar dos sinos cede lugar ao som de instrumentos como violoncelos, pianos, bandolins, trombones, bandarras, violões, violinos e flautas.
Tudo isso ocorre ora ao ar livre ora no interior dos templos barrocos, algus datados do século XVII, que ostentam altar, mesa, tribunas e tocheiros folheados a ouro, como é o caso do Mosteiro de São Bento, um dos mais importantes monumentos históricos de Olinda,cuja parte alta é hoje a única da região metropolitana livre do avanço de espigões e ainda preserva o verde dos quintais e dos coqueiros. E'nesse ambiente de velhos telhados, sob a prata da de lua cheia que ocorre a mostra, que movimenta ruas, ladeiras e superlota as igrejas de Olinda.
Professores ilustres nas oficinas
As apresentações têm início nesta quarta-feira e prosseguem até o próximo dia 11. De fato, porém a Mimo começou na última segunda-feira , com a Etapa Educativa, com oficinas de formação de orquestra, cursos de regência, workshops e projeto Mimo para iniciantes em escolas públicas. Uma experiência, e tanto, para quem quer ingressar no mundo da música, ainda mais com privilégio de contar com uma equipe de "professores" de raras oportunidades. Pelo menos para as bandas do Nordeste. Durante seis dias, passarão pelas oficinas, entre outros, nomes como o maestro Isaac Karabtchevsky, diretor artístico da Orquestra Petrobras Sinfônica e que acaba de assumir a Sinfônica de Heliópolis, em São Paulo.Também atuarão o percussionista Marcos Suzano e os compositores Arrigo Barnabé e Philip Glass.
Além de oficinas,shows e concertos, a Mimo promove um festival de cinema, todos com temas ligados à música. Os filmes são exibidos em telões espalhados por Olinda,entre os dias 6 e 11 de setembro. A seleção tem 15 títulos e alguns deles serão vistos em pátios de igrejas seculares,como a da Sé (a mais antiga da cidade) e do Seminário (que fica na parte mais alta de Olinda). Entre o filmes do festiva estão "Mar de Lia", de Hanna Godoy (que é sobre a lendária cirandeira da Ilha de Itamaracá, que fica a 45 quilômetros da capital) e "Filhos de Joáo, o Admirável Mundo Novo baiano", de Henrique Dantas (que conta a história do grupo Novos Baianos).
Toda a programação é gratuita. O maior problema é escolher o programa, porque a maior parte das apresentações ocorre em caráter simultâneo. O Mimo se encerra no dia 11, com a dupla Hamilton de Holanda e André Mehmari, que esse ano ganharam o Prêmio Música brasileira com o álbum instrumental "Gismontipascoal - A Música de Egberto e Gismonti".


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