HAMBURGO, Alemanha - Alguma coisa estranha acontece com a beatlemania. Na semana passada, em Londres, os organizadores de um show de Bruce Springsteen cortaram o som do microfone do palco, em respeito ao horário da lei do silêncio. Detalhe: ocorreu justamente quando o convidado de honra, Paul McCartney, cantava "Twist and Shout".
Dois meses antes, o lendário baixista dos Beatles já sofrera um revés: sobraram ingressos - fato raríssimo - do show que faria na Cidade do México. O golpe fatal, no entanto, aconteceu no último dia 30 de junho: o Beatlemania Museum, um parque de diversões para fãs dos Fab Four, em St. Pauli, bairro turístico de Hamburgo, na Alemanha, fechou as portas por total falta de interesse do público.
- Diante das dívidas, não havia outra solução responsável senão fechar - lamentou o diretor da instituição, Folkert Koopmanns, em comunicado oficial distribuído à imprensa, lembrando que para equilibrar as contas era preciso receber pelo menos 80 mil pessoas ao mês (nos três anos de funcionamento, o museu atraiu menos de 150 mil).
A meia dúzia de funcionários da instituição até tentou impedir, fazendo um vídeo de apelo a Paul McCartney pelo YouTube, ao som das músicas "With a little help from my friends" e "Don't let me down" ( Em Hamburgo, o bairro de St. Pauli é famoso pela concentração de sex shops e sex clubs. E era ali, entre garotas que sabem exatamente o significado de "Love me do", que o letreiro de submarino convidava até o mais incauto dos turistas, por 12 euros, fosse domingo ou feriado.

