SÃO PAULO - Conflito de gerações, a relação entre mestre e aprendiz, pai e filho, centrada no embate entre mercantilização e pureza da arte, são os temas que o premiado dramaturgo e roteirista John Logan aborda em "Vermelho". Ganhadora de seis prêmios Tony, a peça é encenada pela primeira vez no Brasil, com direção de Jorge Takla, estrelada por Antonio Fagundes e seu filho Bruno Fagundes, num encontro inédito nos palcos.
Através da relação de dois anos entre o artista plástico Mark Rothko (1903-1970) e Ken, seu assistente, o espetáculo apresenta um olhar sobre um momento de ruptura cultural: os últimos suspiros do modernismo e os primórdios da era pós-moderna.
Rothko (Antonio Fagundes), um dos expoentes do expressionismo abstrato, é contratado para pintar uma série de murais para o restaurante Four Seasons do edifício Seagran. É oferecida ao artista uma pequena fortuna para os padrões da época: US$ 35 mil. Ele recebe o adiantamento e contrata um jovem para ser seu assistente, Ken (Bruno Fagundes). Enquanto isso, na Nova York dos anos 50, jovens artistas como Andy Warhol e Liechtenstein emergem.
- Vê-se o crescimento desta improvável relação entre um menino de 22 anos, uma força da natureza, e um homem amargo, cheio de certezas, de 56 anos - explica Antonio Fagundes, em entrevista coletiva sobre o espetáculo, cuja estreia acontece nesta sexta-feira, às 21h30, e inaugura o novo Teatro GEO em São Paulo.
O ator lembra que o episódio dos murais foi marcante na vida de Rothko. O artista decide devolver o dinheiro ao restaurante, mas continua atormentado, no início de um processo que culmina em seu suicídio 12 anos depois.
O acaso levou o texto às mãos de Antonio e Bruno Fagundes quase ao mesmo tempo. Depois de o terem lido, pai e filho conversaram com entusiasmo sobre uma nova peça que haviam descoberto, até o momento em que perceberam que falavam de "Vermelho".
- Na verdade, foi a peça que nos descobriu - brinca Fagundes pai sobre a coincidência.
O diretor Jorge Takla, que desde 2004 não se aventurava no teatro de prosa, dedicando-se exclusivamente a musicais, explicou que o convite dos Fagundes foi irrecusável.
- Não faço distinção entre musical, ópera ou teatro de prosa. A qualidade é o que faz diferença. É muito raro achar um texto desses, com um papel que seja tão adequado a Antonio Fagundes. Além, é claro, do desafio de trabalhar com pai e filho - disse Takla, que apesar de ter coproduzido vários espetáculos com Fagundes, o dirige pela segunda vez. A primeira foi em "Últimas luas", em 1999.

