Alguns dias atrás, coloquei aqui um artigo - que você pode ler aqui - a respeito do quanto você pode se sentir enganado ao ouvir um determinado disco pela primeira vez. Tomado por diferentes níveis de expectativa, não é raro que as pessoas acabem tomando contato com porcarias inacreditáveis lançadas por seu ídolo.
Por conta da boa receptividade deste texto - obrigado, pessoal! -, fui instado por vários internautas a dar prosseguimento a este assunto, trazendo mais alguns exemplos vergonhosos de discos que foram cercados por uma grande expectativa, mas que resultaram em fiascos constrangedores.
Aqui estão mais dois casos de discos que causaram surpresas desagradáveis em quem gosta de música com seriedade. Claro que existe gente desmiolada que vai dizer que isto é um exagero de minha parte, que os discos não são tão ruins... Ok, o espaço de comentários está aí embaixo justamente para isto, mas precisa ser muito fanático para argumentar a favor destes lixos.
SLAVES & MASTERS - Deep Purple
Depois de uma "volta" que rendeu um disco superestimado e outro muito fraco — o não mais que razoável Perfect Strangers e o risível House of Blue Light-, a tensão entre Ritchie Blackmore e Ian Gillan chegou a tal ponto que o vocalista pegou o boné e picou a mula. Sentindo-se finalmente dono do grupo — assim como havia acontecido durante a existência do Rainbow -, o guitarrista tratou de colocar um conhecido "capacho bem bonzinho e obediente" nos vocais - o cafonérrimo Joe Lynn Turner, o único cantor que, na hora de entrar em outro país, precisa de outro passaporte para a sua peruca — e lançou este Slaves & Masters, uma clara alusão ao papel que ele agora desempenhava dentro de uma banda cansada e envelhecida.
A sensação de liderança era tamanha que Blackmore apostou que uma música mais fraca que café de orfanato como "King of Dreams" iria abrir as portas do mercado americano para ele, algo que vinha tentando desde que lançou o Down to Earth com o Rainbow. Ledo engano. Não apenas ninguém nos Estados Unidos deu a menor bola para este "novo Deep Purple", como também na Europa a banda virou motivo de piada.
Também, não era para menos... "Too Much is Not Enough" e "Wicked Ways" parecem sobras de algum disco solo do Steve Walsh, do Kansas, ao passo que "The Cut Runs Deep" e a patética balada "Love Conquers All" devem ter sido encontrada na lata de lixo do estúdio de ensaios do Foreigner. Muito piores são "Fortuneteller" e "Breakfast in Bed", que não passam de ridículas tentativas de imitar o Bad Company.
O disco foi um fracasso tão retumbante em todos os sentidos que o temperamental Blackmore teve que engolir a volta de seu desafeto Ian Gillan por imposição total não apenas da gravadora do grupo, mas também de seus companheiros de banda. E deu no que deu: outro disco fraquíssimo, The Battles Rages On, lançado em 1992, que fez com que o guitarrista saísse novamente do grupo pouco tempo depois.
GENERATION SWINE - Mötley Crüe
A intenção era recuperar o fracasso das vendas do disco anterior, o ótimo e incrivelmente ignorado Mötley Crüe, de 1994, que tinha John Corabi nos vocais. Lançado com enorme expectativa pelo fato de marcar a volta de Vince Neil, este disco é um dos maiores fiascos da história do rock. Não apenas porque Nick Sixx e Tommy Lee, pressionados pela gravadora, resolveram despedir um cara que adoravam — Corabi — para implorar pelo retorno de seu antigo vocalista e desafeto declarado. O problema maior foi que os caras resolveram soar como uma banda cover do... Smashing Pumpkins!
Se "Afraid" foi uma patética tentativa de a banda alcançar um público recém-formado a partir da euforia do grunge, "Glitter" buscava o apoio de quem gostava de "pop eletrônico sensível", tipo Pet Shop Boys, Seal e outros congêneres. Um troço tão autêntico quanto um urubu pintado de verde e vendido como papagaio. De sua parte, Sixx se deixou levar pelo nascimento de seu filho para encaixar uma patética homenagem ao garoto, "Brandon", que deve fazer o menino morrer de vergonha até hoje.
O resultado desta picaretagem: Generation Swine conseguiu a proeza de vender ainda menos que seu antecessor.


